Quem vai comprar um carro novo sabe que fazer a vistoria cautelar e a revisão veicular é o primeiro passo para garantir a procedência daquele bem. Até porque ter em mãos um laudo emitido por uma oficina credenciada pelo Detran reduz, e muito, a chance de cair em algum tipo de golpe. Agora, depois de feitos esses procedimentos e com a certeza de que o carro está em ordem, como saber se o preço cobrado pelo vendedor é justo?

Não existe lei ou fórmula que responda a essa pergunta. Mas existe o popular “preço de tabela”, que pode ajudar a ter uma boa referência antes de fechar negócio. Você sabe como ele é calculado? Por quem? E como usar? Vamos te explicar.

O que é a Tabela Fipe?

O termo “preço de tabela” se refere à tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas-Fipe, da Universidade de São Paulo. Por isso, o nome Tabela Fipe. Criada há 21 anos, ela surgiu exatamente para servir como referência para o mercado. Basicamente, para cada marca, modelo e versão de veículo foi criado um código. Por exemplo, o do Volkswagen Gol, motor 1.0, Plus, 16 válvulas, com quatro portas, fabricado em 2005, é o 005147-0.

Cada vez que um veículo é vendido, em praticamente todo o país, a Fipe recebe a informação dos órgãos de registro sobre o código e o preço. Assim, ela consegue, todos os meses, atualizar o valor médio daquele modelo. Caso você não tenha em mãos o código do seu veículo, não tem problema. Pelo site veiculos.fipe.org.br, você pode consultar uma lista com todas as marcas e modelos disponíveis no país e encontrar o seu ou o que você pretende comprar.

Devo seguir o preço da Tabela Fipe?

Como dito anteriormente, ela serve como referência e é apenas um dos fatores a serem considerados, como o resultado da vistoria cautelar e da revisão veicular. Por exemplo, se a inspeção mostrou que o carro já foi batido e passou pelo serviço de funilaria, talvez seja justo você pagar um valor abaixo do de tabela. Por outro lado, se ela mostrou que o veículo está bem conservado e não vai gerar gastos com manutenção tão cedo, talvez valha a pena pagar uma grana a mais. Ou seja, há todo um contexto que precisa ser levado em conta.

Além disso, o preço de tabela é uma média. Significa que pode haver uma série de distorções. Por exemplo: uma caminhonete é bastante valorizada na região central do país, onde há muitas fazendas e a economia é movida pelo agronegócio. Isso faz com que o preço médio suba. Mas se você mora em uma grande cidade, esse veículo não terá o mesmo valor na sua região, o que indica que é melhor buscar uma caminhonete que custe menos que o preço de tabela.

O tipo de comprador e de vendedor também pesa. Imagine que alguém comprou um carro novo e vendeu o antigo para a própria concessionária como forma de entrada no pagamento. Essa loja vai revender esse carro usado provavelmente pelo preço de tabela ou menos, já que ela tenta se livrar desses veículos o mais rápido possível. E, como ela precisa lucrar nessa revenda, ela normalmente paga um valor bem baixo ao antigo dono, o que faz muita gente evitar usar o carro antigo para pagar o novo. Fato é que, quando isso acontece, ajuda a derrubar o valor de tabela.

Por fim, ela também não leva em conta acessórios, como bancos de couro, kit multimídia e rodas de alumínio. Ou seja, se o veículo que você vai comprar tem tudo isso, o vendedor tem o direito de cobrar um valor maior que o de tabela.

Outras formas de usar a Tabela Fipe

Até agora ficou claro que a Tabela Fipe, aliada a uma vistoria de veículo e à inspeção que garante a procedência, não define, mas ajuda a avaliar se o preço é justo ou não. Mas é importante saber que ela tem outras utilidades. As principais são definir o valor do IPVA e ajudar no cálculo do calor do seguro.

Quanto ao IPVA, vale pesquisar como funcionam as coisas na sua região. Mas, no Estado de São Paulo, por exemplo, é a Tabela Fipe que determina o valor do imposto, cobrado no começo do ano. O governo leva em conta o valor médio de cada veículo calculado no mês de setembro do ano anterior. No caso do carro de passeio, a alíquota normalmente é de 4%. Ou seja, o IPVA de um modelo que em setembro de 2020 custava R$20.000,00 é de R$800,00, em 2021.

Já quanto ao seguro, a indenização, caso seu carro seja roubado ou se envolva em um acidente, é paga com base no valor de tabela. Então, ele também pesa no preço do seguro que, assim como o valor do IPVA, deve ser levado em conta antes de você comprar um carro. 

Por fim, são muitas informações a serem levadas em conta, sem falar no custo de manutenção e no consumo de combustível, que pode pesar bastante no bolso. Por isso, se você vai trocar de carro, não se deixe levar pela emoção, faça as contas com calma e tenha uma boa compra.

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